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Conheça a Arterite de Células Gigantes

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Você já ouviu falar sobre a Arterite de Células Gigantes? A doença é uma forma de vasculite que pode ser mais comum do que aparenta clinicamente e, quando não tratada rapidamente, pode levar o paciente à cegueira.

Pensando nisso, criamos esse post. Nele, você vai entender melhor o que é a Arterite de Células Gigantes, conhecer os seus principais sintomas e descobrir como é feito o diagnóstico e tratamento da enfermidade. Acompanhe o texto e saiba mais!

Afinal, o que é Arterite de Células Gigantes?

Também conhecida como Arterite Temporal, Arterite Cranial ou Doença de Horton, a Arterite de Células Gigantes é uma inflamação crônica das grandes e médias artérias da cabeça, pescoço e porção superior do corpo.

A doença, que pode ser disseminada, localizada ou multifocal, provoca o inchaço dessas áreas, o que pode acabar impedindo o trânsito do sangue para alguns órgãos e tecidos.

Geralmente, as artérias mais afetadas pela doença são aquelas de tecido elástico, localizadas ao redor da cabeça e no pescoço, especialmente nas têmporas, daí o nome Arterite Temporal. Existe a possibilidade ainda de que a doença afete os ramos da aorta, as artérias periféricas ou as coronárias.

A Arterite de Células Gigantes é uma enfermidade que acomete cerca de duas vezes mais mulheres do que homens. O problema pode aparecer a partir dos 55 anos, com prevalência dos casos por volta dos 70 anos.

Embora suas causas sejam desconhecidas, sabe-se que a doença está relacionada a uma ativação do sistema imune. Uma das hipóteses mais aceitas é a de que o sistema imune ataque as artérias ao ser acionado por uma infecção, mas a origem ou identidade dessa infecção ainda não foi identificada.

Quais são os principais sintomas da Arterite de Células Gigantes?

Os sintomas da Arterite de Células Gigantes podem aparecer de maneira progressiva ou abruptamente. Entre os mais frequentes, destaca-se a dor de cabeça intensa e por vezes latejante na região temporal ou na parte posterior da cabeça.

Pacientes portadores da doença também relatam com frequência dores no couro cabeludo ao escovar os fios ou dificuldade para deitar-se sobre o lado afetado da cabeça. As artérias temporais também  podem apresentar sensibilidade ao toque e inchaço.

Além desses, outros sintomas podem ser observados, com variações de acordo com as áreas afetadas:

  • febre subaguda sem explicação;

  • cansaço e indisposição;

  • sudorese excessiva;

  • perda de peso;

  • distúrbios visuais, como visão dupla ou borrada, pontos cegos e cegueira súbita em um dos olhos, que desaparece na sequência;

  • dores na mandíbula e na língua ao se alimentar ou falar, sendo esse sintoma mais frequente em quem apresenta problemas visuais;

  • problemas neurológicos e cardiovasculares;

  • dores intensas e rigidez nos quadris, ombros e pescoço, provocadas pela polimialgia reumática, enfermidade que acomete entre 40 a 60% dos portadores da Arterite de Células Gigantes.

Como é feito o diagnóstico da Arterite de Células Gigantes?

O diagnóstico da Arterite de Células Gigantes é feito a partir do histórico médico, relato dos sintomas e exame físico, no qual o médico verifica se as artérias temporais apresentam rigidez ou instabilidades.

Os resultados do hemograma do paciente também são importantes para apoiar o diagnóstico. Anemias, elevada velocidade de hemossedimentação ou altos níveis de proteína C-reativa, por exemplo, podem levar a suspeita de inflamações.

Caso a suspeita da enfermidade recaia sobre artérias de grande porte, existe a possibilidade de realizar ainda uma angiografia por ressonância magnética para apoiar o diagnóstico.

De qualquer maneira, o melhor exame para confirmar definitivamente a doença ainda é a biópsia da artéria temporal.

Para realização do procedimento, o médico pode solicitar uma ultrassonografia Doppler com o objetivo de localizar a parte da artéria mais adequada para a biópsia.

Ato contínuo, é aplicado um anestésico local e realizada uma incisão superficial diretamente sobre a artéria a ser biopsiada. Um segmento de tamanho mínimo de 2,5 cm é extraído e a incisão, suturada.

A amostra então é enviada para um patologista, que analisa o material em busca de inflamações nas paredes da artéria que confirmem o diagnóstico.

Como é realizado o tratamento da Arterite de Células Gigantes?

É fundamental que o tratamento da Arterite de Células Gigantes seja realizado em caráter emergencial e o mais precocemente possível, com o objetivo de minimizar os danos ao organismo e garantir que órgãos e tecidos importantes não sejam afetados pela diminuição ou perda do fluxo sanguíneo.

Quando não tratada adequadamente, a doença pode bloquear o fornecimento de sangue para o nervo óptico, provocando a cegueira, ou ainda para o cérebro, causando um acidente vascular encefálico (AVE).

O tratamento da Arterite de Células Gigantes é geralmente iniciado no mesmo dia do resultado da biópsia. No entanto, se o médico tiver fortes suspeitas do diagnóstico, deve iniciar o tratamento até mesmo antes, uma vez que o infarto do nervo óptico não pode ser revertido nem mesmo com alta dose de corticoides.

Na maioria dos casos, é ministrada uma prescrição inicial alta de prednisona para reduzir a inflamação dos vasos sanguíneos e minimizar as chances de cegueira, com diminuição da dose ao longo das semanas.

A critério do médico responsável, a prednisona pode ser acompanhada de uma baixa dosagem diária de aspirina, com objetivo de reduzir os riscos de AVE.

Quando tratada precoce e adequadamente, a Arterite de Células Gigantes pode entrar em remissão, ocasionando a redução da medicação e sua eventual suspensão. Em geral, o tratamento tem duração mínima de 2 anos, para garantir o controle total dos sintomas e a prevenção da cegueira.

Como tratamentos de longo prazo com corticoides podem provocar efeitos colaterais expressivos, seu uso deve ser limitado assim que possível para minimizar os riscos de complicações.

Pacientes que não toleram corticoides ou voltam a apresentar os sintomas com a redução da dose podem ser tratados com metotrexato. Além disso, pacientes idosos que fazem uso da prednisona de modo contínuo necessitam de bifosfonato para evitar quadros de osteoporose.

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