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Lúpus Eritematoso Sistêmico: avanços para o tratamento

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O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença ainda cercada de dor e preconceito, que precisa ser melhor entendida e divulgada. Graças aos estudos e avanços da medicina, novos tratamentos têm surgido para oferecer aos pacientes melhora nos efeitos da doença e na qualidade de vida.

A estimativa de vida dos portadores de Lúpus tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, graças a estudos voltados a terapias e tratamentos menos agressivos. Isso tem levado muitos pacientes a suprimir a doença ou pelo menos, mantê-la estabilizada.

Transplante de células-tronco e a utilização de células estaminais mesenquimais são o que há de mais moderno nos constantes estudos em busca da melhoria na qualidade de vida dos portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Além disso, registra-se uma melhoria e novas associações medicamentosas nos tratamentos convencionais.

Lúpus Eritematoso Sistêmico: o que é?

O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença grave e que causa muita dor nas pessoas. Não tem cura e o tratamento, muitas vezes, provoca sofrimento nos pacientes.

A doença, embora pouco se ouça falar, ataca centenas de pessoas, entre jovens e adultos, sendo a maioria mulheres em idade reprodutiva.

Trata-se de uma doença inflamatória crônica autoimune, na qual o organismo produz anticorpos contra si mesmo e que pode atingir diversos órgãos. As manifestações podem ocorrer de formas diferentes de doente para doente, sendo que os tipos mais comuns são as cutâneas, que se caracterizam por manchas na pele, principalmente nas partes que recebem maior incidência solar e o sistêmico, atacando os órgãos internos.

Como se manifesta?

A doença pode manifestar-se constantemente ou evoluir em forma de surtos. Ela alterna períodos em que os sintomas estão mais exacerbados com outros em que a doença está inativa, conhecido como período de remissão.

Como é uma doença do sistema imunológico, ela pode apresentar diferentes sintomas em diversas partes do corpo. É pode até levar à morte em um prazo de 10 a 15 anos após ser diagnosticada. Os sintomas mais comuns são:

  • febre;
  • perda de apetite;
  • perda de peso;
  • fraqueza;
  • dor nas articulações;
  • manchas na pele;
  • hipertensão;
  • problemas nos rins.

Causas do Lúpus

De causa desconhecida, o Lúpus pode ser originado por fatores genéticos, ambientais e hormonais em pessoas que nascem suscetíveis ao desenvolvimento da doença.

Pode surgir a partir de irradiação solar, de infecções provocadas por vírus, que passam a alterar o sistema imunológico, desequilibrando a produção de anticorpos que reagem contra o próprio organismo e causam inflamações nos órgãos.

O diagnóstico é feito a partir do relato dos sintomas já citados e baseado em exames de sangue e urina, que podem apresentar alterações indicativas da doença.

Vale lembrar que não existe um exame específico para diagnosticar o Lúpus, mas o exame FAN – Fator Antinuclear, em níveis elevados em pessoas que apresentem sintomas da doença permitem um diagnóstico mais preciso.

Avanços nos tratamentos

As terapias convencionais para o tratamento do Lúpus são baseadas em prescrição de corticosteroides e anti-inflamatórios não esteroides, em conjunto com agentes imunossupressores. Porém, muitos pacientes sofrem com recaídas ou não respondem a estes tratamentos.

Muito tem se investido na busca por tratamentos que proporcionem bem-estar e qualidade de vida aos portadores da doença.

Células-tronco e drogas imunossupressoras foram usadas por cientistas americanos em pacientes que não vinham reagindo bem aos tratamentos convencionais para o Lúpus. Dois anos após o procedimento, estes pacientes não mais apresentavam sinais da doença em órgãos como rins, coração, pulmão e sistema imunológico.

O que pode ser percebido com esta conquista é que uma nova geração de células-tronco imunes pode ser utilizada para produção de células saudáveis pelo próprio organismo, eliminando a doença.

Mais recentemente, foi divulgado um estudo para testar a eficácia da utilização de células estaminais mesenquimais em pacientes com graus severos da doença. Esta tem sido uma alternativa para o transplante de medula óssea, por sua capacidade de atenuar a resposta autoimune do Lúpus.

Os resultados do estudo demonstram que o tratamento dos casos tem sido mais seguro e eficaz. Os doentes submetidos a ele apresentaram remissão total da doença ou tiveram um número menor de recaídas.

O índice de manifestação da doença permaneceu baixo durante pelo menos 5 anos, melhorando consideravelmente os sintomas da doença durante este período. O tratamento com estas células permitiu, ainda, a diminuição das doses de imunossupressores e melhorou as funções renais, pulmonares e hematológicas.

Terapias mais convencionais

Dentre as terapias mais convencionais, os estudos e descobertas também continuam acontecendo. Entre eles, está uma terapia realizada com medicamento que utiliza anticorpo monoclonal. Ela é indicada para pacientes que apresentam a doença em alto grau de atividade e que já utilizem o tratamento padrão para a doença.

Este tratamento chamado de Belimumabe é aplicado por meio de infusões e tem apresentado resultados bastante efetivos nos efeitos colaterais, proporcionando a melhora na qualidade de vida aos pacientes.

O tratamento com medicamentos deve ser prescrito de forma individual, uma vez que depende de quais órgãos ou sistemas são atingidos e da gravidade da doença.

Pacientes com vários sistemas comprometidos, cujos casos são mais graves, podem fazer uso de vários medicamentos, como corticoide e imunossupressores.

O que ajuda os pacientes em tratamento?

O envolvimento dos pacientes nos cuidados com o tratamento também é essencial para a melhoria dos sintomas.

É importante que o paciente e familiares busquem informações sobre a doença, evolução e riscos, além de contar com o apoio psicológico, estimulando a motivação para o tratamento.

Atividade física nos períodos em que a manifestação da doença não está tão severa também contribui para evitar atrofia muscular e desmineralização dos ossos.

Evitar excesso de sal e carboidratos, usar sempre protetor solar e não fumar também são ações que contribuem para o bem-estar geral do paciente.

É importante que haja divulgação da doença e do avanço dos tratamentos. Só o conhecimento e esclarecimento podem derrubar preconceitos, informações equivocadas e medos que não contribuem em nada.

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