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Síndrome de burnout: a doença do esgotamento de trabalho

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De acordo com International Stress Management Association (ISMA), 30% dos cerca de 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem de síndrome de burnout, problema que provoca danos não só à saúde, como também para a economia. Cansaço físico e emocional intensos, irritabilidade, desmotivação são apenas alguns dos sintomas deste grave transtorno.

Segundo a mesma instituição, a diminuição da produtividade provocada pela exaustão e pelo excesso de trabalho gera para o país um prejuízo equivalente a 3,5% do nosso produto interno bruto (PIB).

Apesar dos números tão expressivos, a síndrome de burnout ainda é uma doença pouco conhecida pela população em geral. Frequentemente confundido com um cansaço comum, o burnout é um dos níveis mais devastadores do stress. E, quando não tratado adequadamente pode trazer consequências graves para a saúde e, em casos extremos, causar a morte.

O médico do trabalho precisa estar consciente desse transtorno e criar estratégias para preveni-lo. Pensando nisso, criamos o artigo de hoje. Por meio dele, você vai entender melhor o que é síndrome de burnout, quais são os principais sintomas da doença e como é possível prevenir e tratar o problema. Acompanhe a leitura!

Afinal, o que é a síndrome de burnout?

Também chamada de síndrome do esgotamento profissional, a síndrome de burnout — expressão em inglês usada para designar algo que queimou por completo — foi identificada pela primeira vez em 1974 pelo psicólogo alemão Herbert Freudenberger. Ela é caracterizada por um intenso esgotamento físico e mental oriundos de uma vida profissional desgastante e excessivamente sobrecarregada.

O cansaço intenso típico da síndrome provoca desmotivação e desinteresse pelas atividades laborais. Ele gera um quadro de stress crônico, que interfere nas relações do indivíduo também fora da esfera do trabalho, diminuindo consideravelmente sua qualidade de vida.

Quais são os principais sintomas da síndrome de burnout?

A síndrome de burnout surge geralmente após períodos de grande esforço e dedicação ao trabalho com períodos muito curtos de recuperação. Ela é caracterizada por três sintomas principais:

  • exaustão emocional, que provoca falta de energia para as atividades diárias,

  • cinismo e ceticismo, que desencadeia uma falta de empatia pelas questões que envolvem os colegas de trabalho e a negação da existência da sua própria crise pessoal;

  • baixa realização profissional, que gera sentimentos de culpa pela diminuição da produtividade.

Esses três fatores provocam uma série de sinais físicos e emocionais que, combinados, podem auxiliar no diagnóstico da síndrome de burnout. Conheça alguns dos mais comuns:

  • insatisfação constante com a vida profissional;

  • alterações de humor (irritabilidade excessiva ou mesmo agressividade);

  • dificuldades de concentração e memorização;

  • sonolência diurna e insônia noturna;

  • desejo quase incontrolável de mover as pernas, especialmente à noite;

  • alterações no peso;

  • problemas gastrointestinais (má digestão, prisão de ventre e diarreia);

  • dores de cabeça e musculares;

  • tonturas e tremores;

  • bruxismo (ranger de dentes noturno e involuntário);

  • diminuição da libido;

  • crises de ansiedade e ataques de pânico;

  • depressão;

  • uso excessivo de álcool, drogas ou cigarro.

É possível prevenir o problema?

Apesar dos relatos de exaustão figurem na literatura médica há diversos séculos, o aumento dos casos de síndrome de burnout é um fenômeno bem mais recente.

Embora a doença seja provocada por uma série de fatores, o ritmo acelerado de vida provocado pela industrialização e, mais recentemente, pela chegada da internet e das redes sociais, contribui para o problema.

De acordo com uma pesquisa conduzida pela consultoria Deloitte, os brasileiros usuários de smartphones checam seus celulares, em média, 78 vezes ao dia. Ocorre que, cada vez que há uma interrupção desse tipo,  o cérebro necessita de um período de tempo entre 10 a 25 vezes maior para retomar à tarefa anterior, o que demanda energia e aumenta o desgaste.

A isso, soma-se a o fato de que a tecnologia torna qualquer pessoa disponível e conectada às questões do trabalho 24 horas por dia, 7 dias por semana. E também há uma tendência recente de associar excesso de trabalho a poder e status. Quase todo mundo já ouviu alguém dizer, com indisfarçável orgulho, que “está trabalhando demais e não tem tempo para nada”.

Por isso, a melhor maneira de prevenir a síndrome de burnout é investindo em qualidade de vida. Para tanto, o ideal é apostar em uma  alimentação saudável, não abrir mão de praticar atividades físicas por no mínimo 30 minutos diários, 5 vezes na semana, dormir entre 6 e 8 horas por noite e, principalmente, buscar uma solução equilibrada para a divisão de tempo entre trabalho e lazer.

Neste sentido é fundamental que as empresas atuem na prevenção da doença, afinal é delas que advém o transtorno. Para isso, é preciso proporcionar um ambiente de trabalho saudável. Deve-se, também, evitar promover alterações na rotina de trabalho que provoquem sobrecargas e realizar uma distribuição de tarefas racional. É muito importante não incentivar a realização de horas extras excessivas ou a competição nociva entre os colaboradores.

Também é importante que, ao identificar casos de burnout no ambiente de trabalho, a empresa ofereça total suporte ao funcionário durante o período necessário para a sua recuperação.

A síndrome de burnout tem tratamento?

Geralmente, a síndrome de burnout é tratada com a associação de medicamentos antidepressivos e psicoterapia.

No entanto, é fundamental que o paciente seja orientado a promover uma mudança em seus hábitos e estilo de vida para que a recuperação seja completa. Conheça algumas orientações importantes que devem ser feitas para o colaborador:

  • Tirar um período de descanso é fundamental: é o momento ideal para relaxar, viajar e dedicar-se à família.

  • Ao retornar, é importante envolver-se com atividades que dão prazer e não estão relacionadas à vida profissional, como cursos de artesanato, gastronomia, jardinagem ou fotografia.

  • O paciente também deve manter uma vida social ativa e abrir espaço em sua agenda para atividades como ir ao cinema com a companheira ou jogar futebol com os amigos.

  • Atividades que promovam o relaxamento, como yoga, meditação e massagem também são excelentes recomendações.

Como você pode ver, a síndrome de burnout é um problema cada vez mais presente, que exige atenção, diagnóstico e tratamento adequados. Ela pode ser uma doença incapacitante para o trabalho. A fim de não comprometer a produtividade da empresa e, principalmente, a saúde do trabalhador, o médico do trabalho deve adotar medidas de prevenção a esse e demais transtornos.

Gostou de entender um pouco mais sobre o que é síndrome de burnout e o que é possível fazer para evitá-la? Que outros assuntos você gostaria que fossem abordados nesse espaço? Deixe suas sugestões no campo de comentários! Sua opinião é muito importante!

O Médico poderá especializar-se nesse assunto, através de conhecimentos obtidos no curso de Pós-Graduação em Medicina do Trabalho do IEFAP. Consulte o site da IEFAP.

1 Comentário

  1. DESDE JA DIGO QUE ESTOU MUITO FELIZ COM O ARTIGO OBRIGADO MESMO.

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