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Como o geriatra pode contribuir para melhorar a qualidade de vida do idoso

por Fabiola Aoki
qualidade de vida do idoso

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), estima-se que até o ano de 2050 a população mundial com mais de 65 anos representará cerca de 18% dos habitantes da América Latina. Portanto, a preocupação com a qualidade de vida do idoso tem ganhado mais relevância nas últimas décadas.

O aumento da longevidade resultou no crescimento da população idosa no Brasil, representando atualmente, cerca de 19 milhões de brasileiros. No entanto, o processo de envelhecimento torna os idosos mais vulneráveis às doenças, motivo pelo qual as áreas de atuação relacionadas à qualidade de vida do idoso estão em alta.

Acima de tudo, considerando que o processo de envelhecimento é influenciado por eventos de natureza fisiológica, patológica, psicológica, social, cultural, ambiental e econômica, cada indivíduo deve ser avaliado de forma única, identificando a influência de tais eventos na qualidade de vida do idoso. A seguir, você poderá conferir como o geriatra pode contribuir para isso. Continue conosco e boa leitura!

Modificações causadas pelo envelhecimento

O envelhecimento é um processo dinâmico, progressivo e irreversível na vida de todo ser humano. Por ser altamente individualizado, apresenta diferenças em níveis biológicos, psicológicos e socioculturais. A definição do envelhecimento pode ser dividida em três fases de envelhecimento:

  •  primário: aquele que atinge o organismo de forma gradual e progressiva, com efeito cumulativo;
  • secundário: conhecido também por patológico, ligado aos efeitos de doenças e ambiente sobre o organismo, podendo ser reversível por meio de intervenção preventiva, como mudanças nos hábitos para melhorar a qualidade de vida do idoso;
  • terciário: em que ocorrem perdas físicas e cognitivas, manifestado normalmente na fase adiantada da velhice

Principais alterações fisiológicas causadas na velhice

Durante o processo de envelhecimento, algumas capacidades fisiológicas sofrem alteração, intensificando-se conforme o passar dos anos. Entre as principais habilidades que sofrem alterações e redução, estão:

  • capacidade auditiva,  visual e gustativa;
  • Queda da água corporal total;
  • diminuição de peso e estatura;
  • alterações na pele;
  • reestrição de tônus muscular;
  • diminuição da capacidade respiratória;
  • problemas renais e cardiovasculares;
  • enrijecimento arterial;
  • diminuição da função pulmonar;
  • enrijecimento da caixa torácica;
  • diminuição da elasticidade pulmonar;
  • redução em tamanho e peso do cérebro;
  • diminuição do número de neurônios;
  • prevalência de demências;
  • declínio de algumas funções cognitivas;
  • processamento de informação mais lento;
  •  redução da velocidade da condução nervosa, alterando reflexos.

Fatores que influenciam na qualidade de vida dos idosos

Entre os fatores que podem influenciar a qualidade de vida do idoso, em primeiro lugar está a expectativa de vida reduzida, em segundo lugar os transtornos cognitivos, em terceiro lugar a incapacidade, além disso as dores crônicas, institucionalização e estado funcional muitas vezes são os mais observados pelos profissionais de saúde.

Contudo, outros fatores também estão relacionados, como a qualidade das relações próximas, religião, valores pessoais, experiências anteriores com assistência à saúde e influências culturais.

Entretanto, alguns dos fatores que afetam a qualidade de vida do idoso não podem ser citados, assim como outros podem apresentar importantes efeitos. Associado a isso, a perspectiva da qualidade de vida ainda pode mudar após algum acontecimento na vida do idoso, como um AVE (acidente vascular encefálico) causado incapacidades.

Barreiras que dificultam a avaliação da qualidade de vida 

Avaliar a qualidade de vida do idoso muitas vezes pode ser uma tarefa um tanto difícil. Isso acontece, pois nem sempre essa forma de avaliação é ensinada ou ressaltada de maneira considerável durante a educação médica tradicional.

Por se tratar de algo subjetivo, os modelos de decisão da qualidade de vida não podem ser aplicados de forma individual. Outra barreira encontrada em relação a isso é a demanda de tempo para a avaliação, visto que a necessidade de conversas reflexivas entre paciente e profissional.

O papel da geriatria na qualidade de vida do idoso

O papel do geriatra é lidar com a complexidade dos problemas dessa fase e contribuir para melhorar a qualidade de vida do idoso. Entre os principais objetivos do profissional está a preservação e recuperação da autonomia funcional e independência desses indivíduos, considerando suas limitações de forma individual.

Com o aumento da expectativa de vida, o acompanhamento de idosos com especialistas é cada vez mais importante, mesmo para aqueles saudáveis. Afinal, essa é uma maneira de garantir o envelhecimento com saúde, adquirindo bem-estar.

O médico geriatra deve proporcionar atenção especial ao idoso frágil ou sob risco de fragilização. Isto é, olhando para o indivíduo de forma holística. Por, muitas vezes, apresentar múltiplas morbidades, a população idosa acaba realizando tratamentos diversos com variados profissionais.

O geriatra está habilitado para gerenciar os cuidados integrais a esse paciente, considerando intervenções necessárias e reconhecendo interações de medicamentos que podem causar prejuízos à qualidade de vida do idoso.

Além disso, de cuidar na maioria das vezes de pacientes já fragilizados, o geriatra também acompanha o envelhecimento bem-sucedido, em que se compreende as alterações normais do processo de velhice, assim como doenças crônicas estáveis, sem que existam complicações, focando na preservação da funcionalidade e envelhecimento saudável, com qualidade de vida.

Confira os principais exames solicitados pelo médico geriatra que, associados ao exame físico e entrevista com uma conversa reflexiva auxiliam no diagnóstico:

  • hemograma completo;
  • eletrocardiograma;
  • glicemia em jejum;
  • perfil lipídico;
  • densitometria óssea;
  • mamografia;
  • PSA;
  • Papanicolau;
  • teste de esforço;
  • TSH e T4 livre;
  • vitamina D, cálcio e PTH;
  • sangue oculto nas fezes;
  • vitamina B12 e ácido fólico;
  • ureia e creatinina.

Como esse profissional atua? 

O profissional formado em medicina geriátrica atua em 4 frentes distintas: na preservação, ambientação, reabilitação e cuidados paliativos dos pacientes. Veja um pouco mais sobre cada uma delas:

  • preservação: propondo intervenções que possam se antecipar aos problemas comuns que afetam os idosos e orientar a criação de condições que sejam apropriadas para o envelhecimento, contribuindo para a qualidade de vida do idoso;
  • ambientação: nessa frente o profissional orienta a criação de condições ambientais para que a qualidade de vida do idoso na velhice seja melhorada, atentando-se nos mais variados espaços por onde estão as pessoas idosas;
  • reabilitação: na reabilitação o geriatra propõe intervenções após perdas que podem ser resgatáveis e, quando tais perdas são irreversíveis, o profissional orienta na criação de condições individualizadas para uma vida digna;
  • cuidados paliativos: esses cuidados abrangem intervenções em casos de doenças progressivas e irreversíveis que envolvam aspectos físicos, psíquicos, sociais e espirituais, visando o bem-estar e a dignidade do idoso até a sua morte.

Por fim, no conteúdo de hoje, você pôde conhecer a importância da geriatria para contribuir com a melhora da qualidade de vida do idoso, considerando além de tratamentos para problemas já instalados, o acompanhamento para garantir um período de envelhecimento com saúde e vitalidade.

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